Quando metas rápidas viram pressão tóxica, o preço é pago pela pessoa que opera o dia a dia. Em 2025, números oficiais revelam uma escalada do assédio moral no trabalho, elevando a urgência de uma gestão que una resultados e cuidado humano. O TST recebeu 142.814 novos processos por assédio, aumento de 22,3% frente a 2024 (116.732). O MPT registrou 18.207 relatos, alta de 26,9% em relação a 2024 (14.343). O Disque 100, do MDHC, contabilizou 2.757 denúncias em 2025, +49,8% em relação a 2024 (1.841). Além disso, o país bateu recorde com mais de meio milhão de licenças por transtornos mentais em 2025, evidenciando o custo humano da violência institucional no ambiente de trabalho.
Mas o que caracteriza realmente o assédio moral e como distinguir microagressões de atitudes isoladas? A cartilha de Prevenção ao Assédio, publicada pelo TST, aponta critérios para reconhecer e responder a cada forma de agressão. O objetivo não é penalizar por si só, mas criar estruturas que protejam pessoas e, ao mesmo tempo, preservem a performance sustentável.
O que é assédio moral no trabalho?
- É qualquer conduta que humilhe ou constranja a vítima com repetição, desrespeitando direitos básicos. Pode ocorrer por ações diretas (gritos, insultos, humilhação pública) ou indiretas (boatos, isolamento, recusa de comunicação).
- Exemplos comuns vão desde difamação, isolamento e boatos até imposição de tarefas inadequadas, humilhações públicas, críticas constantes e controle excessivo da jornada.
- O impacto: derruba dignidade, confiança e desempenho, e corrói o clima organizacional. Em termos legais, pode levar a demissão por justa causa, ou, no caso de rescisão indireta, a direitos equivalentes à demissão sem justa causa.
Como as microagressões podem ser identificadas?
- Microagressões são comentários ou ações dolorosas e hostis, muitas vezes sutis, voltados a desqualificar um grupo minoritário. Exemplos comuns: piadas veladas, repetição de estereótipos, ou tom condescendente.
- A psicóloga Eliane Aere, presidente da ABRH, lembra que microagressões tendem a ocorrer de forma repetitiva, sendo menos agressivas, porém ainda prejudiciais. O assédio, por sua vez, costuma ser mais claro em sua violência.
O que fazer se for vítima de assédio moral no trabalho?
- Reúna provas sempre que possível: e-mails, mensagens, gravações com consentimento, diários funcionais, avaliações de desempenho enviesadas, testemunhas, laudos médicos ou psicológicos.
- Use os canais de acolhimento da empresa (CIPAA, sindicato) e relate o ocorrido aos gestores/representantes da organização.
- Procure apoio externo (psicólogo ou médico) para cuidar de si e registrar evidências.
- Evite ficar sozinho com o agressor quando possível; se necessário, registre diálogos ou grave com cautela.
- Avalie a possibilidade de ações administrativas, civis ou criminais conforme o caso.
Como denunciar?
- Existem canais institucionais como Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho, Fala.br (ouvidoria da CGU), Alô Trabalho (158) e canais do MPT e Disque 100. A ideia é coletar informações suficientes para que as autoridades verifiquem a ocorrência no local.
- Importante: manter provas originais, armazená-las com segurança (pendrive, e-mail, nuvem) e preparar o material para possíveis perícias.
O que muda no cenário regulatório e prático?
- A NR-1 passou a contemplar riscos psicossociais como parte das diretrizes de saúde mental no trabalho. A ideia é ampliar a fiscalização, com foco em metas excessivas, jornadas longas e situações de assédio. No entanto, após pressão do setor empresarial, a implementação foi adiada por um ano e vem sendo aplicada de forma educativa, com validade a partir de maio deste ano.
- Em termos jurídicos, há debate sobre a possibilidade de criminalização do assédio moral, com propostas de pena e multa no Congresso.
- O tema também reforça a importância da rescisão indireta prevista no art. 483 da CLT, na qual o trabalhador se demite, mantendo direitos semelhantes aos de uma demissão sem justa causa.
Sobre a gestão de pessoas e a cultura organizacional
- A educação contínua de lideranças, o fortalecimento de canais de denúncia e a documentação de evidências devem ser parte central de políticas de compliance e bem-estar. A prática de acolhimento, apoio psicológico e acompanhamento de testemunhas fortalece a confiança e reduz o turnover.
- O desafio é manter metas ambiciosas sem desrespeitar limites humanos. A tríade Alma do Terapeuta, Alma do Empresário e Alma do Buscador pode orientar ações: autocuidado e limites; governança responsável para prosperidade sem mentiras; sentido ético e evolução pessoal no ambiente corporativo.
Como reconhecer e agir de forma prática na sua organização
- Estabeleça canais claros de denúncia e reporte, com confidencialidade e proteção contra retaliação.
- Documente evidências de forma organizada (diários, registros de desempenho, mensagens, testemunhas).
- Ofereça acolhimento inicial, encaminhamento para apoio psicológico e orientação jurídica quando necessário.
- Garanta que lideranças recebam treinamento sobre comportamento adequado, gestão de equipes e saúde mental.
- Monitore métricas de bem-estar, clima organizacional e rotinas de trabalho para detectar padrões de sobrecarga ou abuso.
Caminhos de ação para 2026
- Transforme a pressão por performance em um ativo estratégico: equilibre metas, feedbacks construtivos e pausas estratégicas.
- Use a proteção psicológica como vantagem competitiva: marcas empregadoras fortes se constroem na prática de respeito e cuidado.
- A cultura de respeito não atrasa a eficiência; ela a potencializa por meio de satisfação, retenção de talentos e melhor desempenho sustentável.
Conclusão: a responsabilidade é de todos, a prosperidade depende de cada relação bem cuidado.
🔍 Perspectiva baseada na notícia: Denúncias e processos por assédio moral no trabalho crescem mais de 20% em 2025; saiba identificar e relatar 🔗 https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/02/11/denuncias-e-processos-por-assedio-moral-no-trabalho-crescem-mais-de-20percent-em-2025-saiba-identificar-e-relatar.ghtml