Abertura
O Espírito Santo vive um desafio comum a muitos ecossistemas: como crescer com o apagão de mão de obra? Um estudo da Findes aponta que a dificuldade de preencher vagas freia o crescimento em vários setores. Hoje, a taxa de desemprego está em 2,6%, e a informalidade alcança níveis elevados, com quase metade dos ocupados atuando fora do mercado formal. Em meio a esse cenário, surge a oportunidade de olhar para capacitação, flexibilidade e planos de carreira como ferramentas de prosperidade.
O que o estudo aponta
A gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, destacou três pontos-chave que alimentam o apagão: novas tendências do mercado de trabalho; economia aquecida; e problemas estruturais.
- Novas tendências do mercado de trabalho: a tecnologia transforma a forma de trabalhar, exigindo requalificação para que trabalhadores adquiram novas habilidades. Além disso, o envelhecimento da população gera demanda por serviços para a terceira idade, exigindo absorção de pessoas que estão disponíveis para atuar.
- Economia aquecida: com a população consumindo mais, a produção precisa crescer. Porém, a taxa de desemprego de 2,6% indica que muitos trabalhadores já estão empregados, tanto no formal quanto no informal.
- Problemas estruturais: quase metade dos ocupados está no mercado informal. Mulheres, jovens e pessoas com escolaridade mais baixa são os grupos mais impactados pela dificuldade de entrada no mercado.
Em resumo, há um casamento necessário entre políticas públicas que facilitem o acesso à força de trabalho disponível e a disposição das empresas de contratar e investir na qualificação.
Lições para PMEs
- Requalificação contínua: investir em treinamento para acompanhar a modernização dos processos e preparar equipes para novas funções.
- Planos de carreira: mapear trajetórias claras dentro da empresa, com metas de desenvolvimento e progressão salarial.
- Remuneração justa: bons salários com planejamento de remuneração que reconheça o valor do tempo e do impacto, não apenas a função.
- Flexibilidade inteligente: manter opções de flexibilidade (horários, home office) para atrair tanto jovens quanto profissionais com outras prioridades de vida.
- Retenção e cultura: criar um ambiente que valorize propósito, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
- Parcerias com políticas públicas: apoiar iniciativas que ampliem o acesso de trabalhadores qualificados ao mercado, incluindo programas de qualificação e estímulos à formalização.
Caminhos práticos para 2026
- Crie um programa de capacitação com metas trimestrais simples, voltado a habilidades de alto impacto para o seu negócio.
- Estruture um plano de carreira com marcos de qualificação e revisões salariais atreladas a resultados, não apenas ao tempo de serviço.
- Ofereça flexibilidade de horários e opções de trabalho remoto quando possível, alinhando-se às expectativas geradas durante a pandemia.
- Busque alianças com instituições públicas ou privadas para ampliar a oferta de mão de obra qualificada e reduzir gargalos de entrada no mercado.
Fechamento reflexivo
Este momento não é apenas um desafio de recrutamento; é uma oportunidade de redesenhar a relação entre trabalho, bem-estar e prosperidade. Ao combinar qualificação, planos de carreira, remuneração justa e flexibilidade, as PMEs podem transformar a escassez em vantagem competitiva, criando ambientes que funcionam para a vida e para o crescimento sustentável.
Proposta de ação rápida
Pense em três ações simples para colocar hoje em prática: 1) defina um plano de capacitação com metas de curto prazo; 2) desenhe um plano de carreira com passos claros; 3) revise a política de remuneração para incorporar flexibilidade de hora e benefício à qualidade de vida.
🔍 Perspectiva baseada na notícia: [Como o apagão de mão de obra vira barreira para crescimento da economia do ES]
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