Você já se viu folheando o feed e tropeçando num conteúdo que parece ter sido criado em câmera lenta pela IA? Uma imagem aparentemente simples – dois garotos sul-asiáticos, cores vivas, chuva, um bolo de aniversário – viralizou no Facebook com quase 1 milhão de curtidas, mesmo carregando indícios óbvios de artificialidade. Foi assim que Théodore, estudante de Paris, decidiu agir: montou a conta Insane AI Slop no X para ironizar publicações que enganavam pela velocidade, pela repetição de temas sensacionalistas e pela estética de “tem que ver para crer”. Em poucos meses, ele acumulou mais de 133 mil seguidores e tornou-se uma lupa sobre o que a rede valoriza: o alcance rápido que o algoritmo recompensa, ou a confiança que vem da qualidade e da responsabilidade pública. O caso não é exceção; é o retrato de uma nova economia de cliques alimentada por IA, na qual o conteúdo de baixa qualidade encontra terreno fértil para crescer, enquanto as plataformas ainda não definiram regras simples o suficiente para frear a avalanche.
Observação: o que começamos chamando de “AI slop” não é apenas uma bobagem visual — é uma evidência de como a tecnologia amplifica padrões de consumo. Hoje, a virada de lucros parece estar emparelhada à vontade de experimentar, remixar e monetizar rapidamente. Dados da Kapwing indicam que 20% do conteúdo mostrado a uma conta recém-criada no YouTube já é “vídeo de IA de baixa qualidade”; a audiência, por sua vez, responde com a mesma intensidade, seja pela curiosidade ou pela crença de que está consumindo algo novo e espetacular. Em termos de impulso, basta olhar o canal Bandar Apna Dost, com 2,07 bilhões de visualizações e uma estimativa de 4 milhões de dólares anuais para quem domina o truque. A lição aqui não é negar a IA, mas entender o custo de um alcance que não sustenta reputação.
Princípio: qualidade, autenticidade e governança de conteúdo não são luxos, são alicerces da prosperidade responsável. Em uma era em que o feed funciona como uma cognitive autopista — onde a curiosidade vira curtida em segundos — marcas que escolhem o caminho da curadoria, da verdade e da responsabilidade definem uma vantagem competitiva duradoura. O dilema não é entre “mais alcance” ou “mais honestidade”; é entre construir algo que sobreviva a críticas e boatos ou ceder ao brilho rápido que desabando ao colocar a marca sob escrutínio público. A reação contrária já existe: críticas nos comentários, denúncias de conteúdos perturbadores, e uma catadinha de plataformas que prometem reduzir a disseminação de AI slop enquanto tentam não sufocar a criatividade. A mudança, portanto, não virá apenas das máquinas; virá da coragem humana de exigir clareza, de moderar com parcimônia e de comunicar com integridade. A internet está pedindo mais alma às cenas geradas por máquina, não menos; e quem ouvir esse pedido pode transformar visões rápidas em prosperidade consciente.
Aplicação: para o empresário consciente, o desafio é transformar o improviso tecnológico em governança deliberada. isso começa antes de publicar: qual é a história que sua marca quer contar? que tipo de conteúdo você se compromete a distinguir entre “engajar” e “enganar”? a resposta não está em uma lista de truques, mas em uma prática: estabelecer critérios de autenticidade, criar uma linha de montagem de conteúdo que preste contas à verdade, e cultivar uma comunidade que sinta que pode rotular com confiança o que é irrelevante ou enganoso. o dado não é apenas um número: é uma pergunta sobre o que você quer que seu público leve para casa. em vez de perseguir o próximo viral, pense em uma ética de visibilidade, onde cada peça de conteúdo carrega uma assinatura de responsabilidade social. a moderação pode parecer um fardo, mas, como mostrou o caso, quando a plataforma se apoia no rótulo humano — dos usuários — para separar o joio do trigo, a reputação da marca sai ganhando. e se isso parece custoso, lembre-se: o verdadeiro custo do AI slop não é apenas a visibilidade passageira, mas a confiança que leva anos para construir e segundos para perder.
Provoação final: se o caminho rápido para a viralidade destrói a sua capacidade de sustentar um propósito maior, você ainda escolhe a história que deseja que o seu negócio conte amanhã?
🔍 Perspectiva baseada na notícia: 'AI Slop': o conteúdo 'tosco' gerado por inteligência artificial que tomou conta das redes sociais - e a reação contrária da internet'
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